Diabetes e hipertensão são condições muito comuns entre pacientes que precisam operar catarata — e, na maioria dos casos, não impedem a cirurgia. O que muda é o cuidado extra na avaliação pré-operatória.

Quem tem diabetes ou hipertensão pode operar catarata?

Pode, na grande maioria dos casos. A condição fundamental é que diabetes e pressão arterial estejam controlados, com acompanhamento do médico responsável. Com esse controle e uma avaliação pré-operatória completa, a cirurgia costuma ser tão segura e tranquila quanto em qualquer outro paciente. Milhões de pessoas com essas condições operam catarata todos os anos.

Por que o diabetes merece atenção especial nos olhos?

Pacientes com diabetes têm tendência a desenvolver catarata mais cedo e também podem apresentar alterações na retina (retinopatia diabética). Por isso, o acompanhamento oftalmológico regular é ainda mais importante: além de definir o momento da cirurgia de catarata, a avaliação verifica a saúde da retina, que influencia o resultado visual final.

Quais cuidados extras a avaliação pré-operatória inclui?

Além dos exames oftalmológicos de rotina — biometria, mapeamento de retina, pressão ocular — o pré-operatório de quem tem comorbidades inclui a verificação do controle glicêmico e pressórico, a revisão dos medicamentos em uso e, quando necessário, a comunicação direta entre o oftalmologista e o clínico ou cardiologista que acompanha o paciente. Esse alinhamento entre as equipes é o que garante segurança.

Como fica o controle da pressão e da glicemia no dia da cirurgia?

As orientações são individualizadas: em geral, os medicamentos de uso contínuo são mantidos conforme orientação médica, e a equipe monitora os sinais vitais durante todo o procedimento. Como a anestesia é local e a cirurgia dura em torno de 15 a 20 minutos, o impacto sobre o organismo é mínimo — bem diferente de uma cirurgia de grande porte.

E a recuperação, muda alguma coisa?

O processo é essencialmente o mesmo: colírios, proteção do olho e retornos de acompanhamento. Em pacientes com diabetes, os retornos podem ser um pouco mais frequentes para acompanhar de perto a cicatrização e a saúde da retina. Manter a glicemia controlada no pós-operatório contribui diretamente para uma recuperação sem intercorrências.